Tenho os sapatos calçados e seguro com as mãos uma mangueira de rega por onde baba um fio de água. À minha volta o capim seco continua a arder como se nada fosse. O depósito de água está nas últimas e não há água. Não sei quanto tempo vão demorar os bombeiros a chegar.
Tudo começou com dois miúdos que no terreno ao lado brincavam com fósforos. Um deles acendeu a caixa toda sem querer, largou-a com o susto e acendeu o capim. Antes que alguém pudesse reagir já o fogo estava na cerca de palapa da nossa casa. Foi aí que me telefonaram.
Quando cheguei já tinha ardido a cerca toda do lado poente, enquanto o Sr. Manuel, tentando evitar a propagação à casa pelo capim, atirava água de longe. Os chinelos que trazia calçados não o deixavam aproximar-se sem queimar os pés. Peguei na mangueira e fui eu para o meio de fogo tentar contê-lo. Um grupo de vizinhos, entre os quais a família dos autores materiais do sinistro, traziam baldes e alguidares para ajudar.
A mangueira não faz grande coisa, mas em conjunto com os baldes de água, conseguimos conter as chamas até chegarem os bombeiros e darem cabo do incêndio. A operação foi um sucesso.
Quando no fim de tudo, já com os bombeiros a caminho do quartel e os vizinhos regressados às suas casas, me sentei a descansar, a contemplar a cerca queimada e a cinza fumegante, percebi com a força de uma epifania que o meu tempo em Timor-Leste tinha chegado ao fim.
30 Novembro 2011 | 1 comentário
Isto é só uma amostra. O álbum completo à venda por paga-o-que-quiseres está aqui.
28 Novembro 2011 | Sem comentários
Vinhas calmamente perguntar-me o que queria para o almoço. Qualquer coisa, avó. Com um sorriso: queres um bife com batatas fritas e ovo estrelado? Sim, sorria eu também.
Era nos dias em que os pais não estavam, o que dava a todo o ritual contornos de segredo, como se estivéssemos a fazer uma traquinice.
Pouco depois comíamos. Eu, extasiado, principalmente com o ovo estrelado e as batatas fritas. Tu, sorridente, com os legumes cozidos. Raramente falávamos e eu nunca encontrava palavras certas para te dizer. Comíamos em silêncio.
Mas eu sempre soube que aquela refeição sofregamente devorada, as batatas fritas, o ovo estrelado, o bife, o arroz meio malandro, tinha mais afecto que todas as palavras que me pudesses dizer.
Díli, 15 de Março de 2004
17 Setembro 2011 | Sem comentários

Há filmes que nos devolvem à vida…
12 Setembro 2011 | Sem comentários
30 Dezembro 2010 | 2 comentários
“Lula Pena em Tinta com Melodia” é a mais recente colaboração do estúdio boq com a Conserveira de Lisboa. O Lançamento / Performance com a presença de Lula Pena é hoje às 18 horas na Conserveira, que fica na Rua dos Bacalhoeiros, 34. Apareçam!
Mais informações no Facebook da Conserveira

22 Dezembro 2010 | Sem comentários

O Instagram é uma aplicação de partilha de fotografias para o iPhone com uns filtros para dar patine às imagens. Infelizmente ainda não tem um interface web, mas podem ver no flickr as fotos que tenho tirado.
13 Dezembro 2010 | Sem comentários
Daniel Bessa, no Público, diz que “A economia está a ser aniquilada pelo Estado social”. A entrevista tem pouco interesse, mas o título que o Público lhe deu chamou-me a atenção.
Há 35 anos que o Estado Social está previsto na Constituição Portuguesa, principalmente nos seus capítulos II e III, que garantem a todos os cidadãos os direitos à segurança social, saúde, habitação, ambiente, educação e cultura.
Dizer agora que o projecto político consagrado no documento fundador da nossa democracia é prejudicial à economia revela uma patética inversão causal e, mais grave, a incapacidade de assumir que nestes 35 anos não se conseguiu organizar o país em torno desse objectivo.
9 Dezembro 2010 | 2 comentários
– Mario, what do you get when you cross an insomniac, an unwilling agnostic and a dyslexic?
– I give.
– You get someone who stays up all night torturing himself mentally over the question of whether or not there’s a dog.
Estou a ler o Infinite Jest do David Foster Wallace.
14 Setembro 2010 | Sem comentários