A Caixa de Pandora

Um belíssimo filme turco sobre a velhice, a morte e a família. Sobretudo acerca da dificuldade que temos em aceitar que os nossos velhos decidam sobre os termos em que desejam deixar-nos.
30 Junho 2009 | Sem comentários

Um belíssimo filme turco sobre a velhice, a morte e a família. Sobretudo acerca da dificuldade que temos em aceitar que os nossos velhos decidam sobre os termos em que desejam deixar-nos.
30 Junho 2009 | Sem comentários
Metem-se três ou quatro pedras de gelo num copo alto e enche-se com vodka até cobrir as pedras. Espreme-se metade de uma lima lá para dentro e junta-se meia dúzia de alcaparras e um rabanete, tudo bem picado. Tempera-se com umas gotas de tabasco e pimenta acabada de moer. Por fim enche-se o resto do copo com gaspacho de pacote bem fresco (Alvalle é o melhor) e mexe-se pachorrentamente com uma colher.
É mais suave que um Bloody Mary, tira a fome e condiz melhor com a Catalunha.
28 Junho 2009 | 1 comentário

A melhor surpresa do São João de Barcelona este ano, foi receber um catálogo de petardos no correio.
26 Junho 2009 | Sem comentários
Valeu bem a pena ir ao Sónar 2009. O cenário é óptimo, a organização impecável, a variedade das escolhas musicais surpreendente, o ambiente muito divertido (mesmo com a quantidade de ingleses embriagados presente). Ao contrário do que inicialmente pensava, a existência de dois recintos distintos para os concertos de dia e de noite funciona muito bem.
Gostei muito dos concertos de Konono Nº1, Omar Souleyman, Buraka Som Sistema, Alva Noto, Orbital (nunca pensei) e do set do James Murphy com o Pat Mahoney.
Gostei menos da Grace Jones, que me pareceu anacrónica, e dos Animal Collective, que pareciam estar a tocar de estômago vazio.
A mancha do evento foram os Crystal Castles, cujos técnicos de som rebentaram com o equipamento logo na primeira música e nunca mais conseguiram que se ouvisse o microfone até ao fim. Foi ridículo e foi pena.
Fica a sensação final de que o Sónar de Dia foi ligeiramente melhor que o Sónar de Noite e vontade de voltar para o ano.
22 Junho 2009 | Sem comentários
Aí vou eu passar os próximos três dias no Festival Internacional de Música Avançada e Arte Multimédia de Barcelona, com um especial interesse em ver Mulatu Astatké, Konono Nº 1 e os Buraka Som Sistema, em rever os Animal Collective e em ir às exposições de brinquedos sonoros, instalações multimédia e coisas que ainda nem têm um nome para se lhes chamar.
UPDATE: Estou a acompanhar o festival no Twitter.
18 Junho 2009 | Sem comentários
“My next door neighbor is an Iranian immigrant who came here in 1977. He just received a SAT phone call from his brother in Tehran who reports that the rooftops of nighttime Tehran are filled with people shouting ‘Allah O Akbar’ in protest of the government and election results. The last time he remembers this happening is in 1979 during the Revolution. Says the sound of tens of thousands on the rooftops is deafening right now.”*
Uma vez que os mace media insistem em chafurdar na sua própria lama e continuam a ignorar o desenrolar dos acontecimentos no Irão, aqui fica uma lista de fontes para acompanhar o que se está a passar:
Além destes, o memeorandum está a agregar conteúdos de blogues e agências noticiosas e o Twazzup está fazer o mesmo com o Twitter.
* Um leitor do Huffington Post.
14 Junho 2009 | Sem comentários
Enquanto no Irão se protesta nas ruas o resultado das eleições, numa dimensão que não se via desde 1999, estes são os destaques nos sites de informação portugueses, encontrados hoje às 10:30 da manhã:
Portugal acima da média da UE em mulheres eleitas (DN).
Um bombeiro morto e três em estado grave em desastre de viação em Espanha (Público).
Presidente do Benfica adia recandidatura para depois de conversa com família (SIC).
Acessos a Lisboa e Porto com patrulhamento reforçado (RTP).
Até pode ser que nas versões impressas e televisionadas o destaque dado ao assunto seja outro, mas visto daqui e desta maneira é sinal de um alheamento preocupante.
ACTUALIZAÇÃO: De acordo o Arrastão a tendência na televisão confirma-se.
14 Junho 2009 | Sem comentários
O que também chama a atenção é o facto do Ministério da Justiça ser a única entidade na Europa que ainda não se convenceu que o Bloco de Esquerda tem 3 deputados, aparentemente por causa dos 10 consulados que estão por apurar há cinco dias.
8 dias depois das eleições europeias - o tempo que demora à República Portuguesa a contar os votos dos seus consulados no estrangeiro - oficializa-se a eleição do terceiro deputado do Bloco de Esquerda. Ainda assim continua um consulado por apurar.
11 Junho 2009 | Sem comentários
Pela janela da entrada consigo vê-lo perfeitamente. Está do lado de lá da cerca, numa pequena elevação ao lado do trilho. Traz calções, t-shirt, xanatos, cigarro no canto da boca e uma AK-47 ao ombro agarrada com as duas mãos.
O Lino diz-me que não há perigo, que é uma pessoa do bairro a fazer segurança. Também me diz que é melhor não sair de casa.
Estamos há dois dias sem sair de casa por causa dos tiros e agora temos um homem armado ao lado da cerca. Na minha cabeça de animal encurralado a situação parece-me inaceitável. Não propriamente o facto de estar ali a 20 metros um homem armado; dada a conjuntura era mais ou menos normal que tal acontecesse. O que me incomoda é a ambiguidade daquela presença: não saber se é amigo ou inimigo. E incomoda-me para lá daquilo que estou disposto a suportar.
Olho para o Lino e abro a porta devagarinho. Tiro o maço de tabaco do bolso, agarro-o na mão e saio cá para fora. Também eu de calções, t-shirt, xanatos e cigarro no canto da boca. Começo a andar em direcção à cerca, devagar, mas decidido, como se fosse ligar o gerador ou buscar qualquer coisa ao carro.
Ao terceiro passo ele vira a cabeça para mim e endireita-se. Aqui apercebo-me do que estou a fazer e tenho medo. Mas também estou muito irritado. Demasiado irritado para deixar de andar na sua direcção.
Há três anos que vivo neste país. Timor-Leste é um país pobre em que tudo está por fazer, mas é um país com esperança de crescer, de se desenvolver, onde todos possam ter uma vida digna e honrada. Desde que cá cheguei que é este o meu carburante: a esperança. Uma espécie de radiação colectiva, sentida todos os dias na rua, nos sorrisos das crianças, nas pessoas com quem trabalho e com quem converso. Mas hoje, em finais de Maio de 2006, com o país à beira da guerra civil e a capital semi-evacuada, já não consigo sentir nada. Acho que é isto que me irrita mais que tudo, mais que o homem armado que não sei ao que vem.
Continuo a andar e olho para ele. Fiquei mais confiante quando há pouco, ao aperceber-se da minha presença, não me apontou a arma. Estou a meio do caminho. De rosto fechado e mãos na espingarda ele parece indeciso. Está na altura.
Sorrio, aceno com a mão e digo-lhe “Boa tarde!”. O rosto fechado abre-se num sorriso. A mão direita larga a arma, tira o cigarro da boca e ele responde “Bô tardi!”. Agora já somos dois a aproximar-nos da cerca. Pergunto-lhe se é do bairro. Diz-me que sim, que mora para os lados da ribeira. Se está a fazer segurança. Que sim, que com mais uns homens estão a defender o bairro, que tem muito malandro por aí.
Estamos agora os dois parados junto à cerca. Ofereço-lhe um cigarro que ele guarda atrás da orelha. Ficamos ali um momento a fumar.
Na minha cabeça penso em compor rapidamente um apelo à paz e à deposição das armas. Que estupidez agora dar sermões ao homem. Talvez perguntar-lhe se sabe usar a espingarda e se os malandros que andam para aí também vêm armados. Não sai nada. Não é assim tão fácil meter conversa com um civil armado. Pergunto-lhe finalmente se precisa de alguma coisa e se vai ficar ali muito tempo. Diz-me que não, que está a fazer a ronda nesta zona e que tem de se juntar aos outros.
Nesse caso, boa tarde e bom trabalho, digo-lhe eu com um aceno. Ele despede-se também e vamos cada um à sua vida.
E foi só depois de lhe virar as costas, enquanto caminhava lentamente na direcção da porta, pensando na parvoíce que é desejar um bom trabalho a um homem armado, com o Lino no alpendre à minha espera, satisfeito por ter resolvido a ambiguidade daquela presença, que as pernas me começaram a tremer como se fossem feitas de gelatina.
9 Junho 2009 | Sem comentários
Sempre que alguém me diz que se vai casar, é costume levar com um “Porquê?” antes do “Felicidades!”. Como nunca simpatizei muito com a instituição casamento, sou muito curioso em relação às motivações que levam as pessoas a casar, sendo que hoje em dia me parece perfeitamente possível ter uma vida completa a dois sem aderir à instituição.
Agora, independentemente da minha antipatia para com o casamento, é bom que a sociedade ajude as pessoas a casar-se, porque a minha opinião sobre o assunto não tem que impedir a procura da felicidade a quem sente que ela passa pelo casamento.
Infelizmente, em Portugal, isso não acontece quando o casal é do mesmo sexo. E isto é grave, porque não há nenhuma razão lógica que possa explicar porque é que o estado retira esse direito à felicidade quando as duas pessoas não são de sexos diferentes.
Subscrevi por isso a petição online do Movimento pela Igualdade e espero que dele possa surgir a dinâmica necessária para repor a justiça no acesso ao casamento civil.
4 Junho 2009 | Sem comentários