Tatamailau

É o pico mais alto de Timor-Leste: 2960 metros. Fui lá este fim-de-semana ver o sol nas­cer sobre os milha­res de anos de movi­men­tos tec­tó­ni­cos que len­ta­mente encar­qui­lha­rem esta ilha.

A faci­li­dade com que deci­di­mos subir pelo lado errado, as per­nas a tre­mer de cami­nhar num tri­lho ao lado de uma escarpa de deze­nas de metros, os maca­cos lá em baixo, a muita sede sem­pre que parava, o can­saço, o ainda mais can­saço, a força que não se sabe de onde veio, a som­bra refres­cante de uma árvore, o gole de água que sabe por um litro, o cora­ção a bater nas unhas dos pés, o Albino sem­pre des­calço a rir-se cada vez que alguém escor­re­gava, o vento muito vento, o olhar para trás e não acre­di­tar que se pas­sou ali, o con­tar a dis­tân­cia em altura em vez de com­pri­mento, a tenda mon­tada no sítio mais estú­pido de todos, a gar­rafa de whisky que se bebeu para matar o frio, a noite mal dor­mida a 2850 metros, o acor­dar mal-disposto, a vio­lên­cia da última subida ainda antes de comer…

Tudo isto e mais o que não con­sigo aqui meter como cons­tru­ção desse momento em que chego ao cume e olho à volta, com os olhos a trans­bor­dar de pai­sa­gem e a mon­ta­nha a doer-me nas pernas.

8 Novembro 2004

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