Finalmente chove

Depois de meses sem cair uma gota de água nesta terra e de dois dias de tro­vo­ada seca e nuvens pre­tas, parece ter come­çado ofi­ci­al­mente a esta­ção das chu­vas que aqui em Díli cos­tuma durar até Maio.

Não há chuva como esta. Aqui a natu­reza não tem meias medi­das ou pani­nhos quentes.

Vejo as nuvens a aproximarem-se, sem­pre muito escu­ras, deixo de ver as mon­ta­nhas, começo a ouvir os pin­gos gor­dos a cair na chapa de zinco. A inten­si­dade aumenta até o baru­lho da chuva ser o único som audí­vel. As folhas de pal­meira em frente à minha janela come­çam a bater con­tra o edi­fí­cio. A tro­vo­ada vai pas­sando por cima e dis­tri­buindo relâm­pa­gos com far­tura. Em quinze minu­tos o par­que de esta­ci­o­na­mento ali em baixo fica trans­for­mado numa pis­cina. Isto pode durar vinte minu­tos ou duas horas. Depois pára, meio de repente. Apa­rece o sol outra vez e em quinze minu­tos o par­que de esta­ci­o­na­mento volta a ficar seco.

Nin­guém usa guarda-chuva. São com­ple­ta­mente ina­de­qua­dos. E como a chuva é quente, recebê-la no corpo sabe lindamente.

O melhor é ver cho­ver no alca­trão. Está sem­pre tão quente que os pri­mei­ros pin­gos eva­po­ram mal lhe tocam pro­vo­cando uma nuvem de vapor que dura os pri­mei­ros momen­tos da chu­vada. Uma estrada inteira a eva­po­rar por baixo dos car­ros e das pessoas.

25 Novembro 2004

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