Portugal

É outro
o olhar que contempla a espera.
As mãos que cumprimentam a desesperança.
Os braços que abraçam a ausência.
A barriga que se enche do vazio das garrafas.
O peito que respira o desejo improvável.
Os pés que caminham debaixo da calçada.
A boca que fala o alheio.

O corpo, irreconciliado pela distância, não é o mesmo.
É outro, talvez.

11 Janeiro 2005

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« 1 comentário

  • M.J.12.01.05 | 17:06

    O meu comentário, na “Doutrina” de Miguel Torga:

    Abro o livro da vida, o catecismo
    Onde qualquer analfabeto lê.
    Abro, soletro e cismo:
    Um outro céu, porquê?

    Tudo aqui tão visível e concreto!
    Tudo florido em letras de verdade!
    Um rio passa, e passa a majestade
    De um Júpiter discreto
    Que liquefez a própria eternidade.

    Deixar o certo pelo duvidoso!
    Trocar a amada por um querubim!
    E este corpo terroso?
    E este viril amor que existe em mim?

    Perguntas e respostas que eu entenda!
    E nada de mistérios de encomenda
    Onde uma cobra sorna e se enroscou…
    Pedir a alguém que sofra e se arrependa
    Por causa da maçã que um outro mastigou!…
    A bem-aventurança natural.
    Um Paraíso onde se possa ir:
    ??rvores do bem e do mal,
    E na porta este aviso paternal:
    - É proibido proibir

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