Personagens

O Eli­sá­rio nas­ceu em Ainaro e vive em Kupang desde 1999. Era colega do Eurico Guter­res, mas não teve nada a ver com milí­cias. Fala-nos num por­tu­guês menino — ter­ceira classe com­pleta no “tempo dos portugueses” — misturado com tétum. No tele­mó­vel a foto­gra­fia tirada com Xanana Gus­mão. “Ele disse para eu vol­tar, mas em Díli não tem ser­viço para eu.” Diz que Kupang é melhor, que há emprego, que a vida é mais barata e que, por isso, lá devía­mos vol­tar todos os fins-de-semana.

O Mar­tin nas­ceu em Sawu onde, segundo ele, todas as pes­soas têm mui­tos filhos. Uma ane­dota local diz que, se todos os que nas­ce­ram em Sawu para lá vol­tas­sem, a ilha se afun­dava. Vive entre Bali e Kupang tra­ba­lhando no que apa­rece. Per­tence a uma asso­ci­a­ção que pro­cura envol­ver as comu­ni­da­des locais na indús­tria do turismo em Timor Oci­den­tal. Para além disso é mana­ger de ban­das e orga­ni­za­dor de fes­tas. Meia hora depois de o conhe­cer­mos esta­mos a ir de mota com ele para uma dis­co­teca local ver uma das suas ban­das tocar. Faz tan­tas per­gun­tas sobre Timor-Leste como lhe faze­mos sobre Kupang e Timor Oci­den­tal. Diz-nos que para a pró­xima nos leva à ilha de Semau.

O Chris é um aus­tra­li­ano de meia-idade pro­ve­ni­ente de Darwin. Tão res­mun­gão como brin­ca­lhão: “Good gri­e­ve­ling” parece ser a sua punch line pes­soal. Faz pis­ci­nas e resorts pelo sul da indo­né­sia: Sumba, Bali, Lom­bock, Roti. Passa a tarde sen­tado no Teddy’s Bar onde conhece toda a gente. Paga-nos um prato de fruta com molho de amen­doim e ai-manas. Quer ir a Por­tu­gal. Diz que o melhor cabrito assado que comeu foi feito num forno a lenha de um por­tu­guês resi­dente na Aus­trá­lia e que por isso quer ir lá ver como é que se fazem. Insiste muito para que fique­mos em casa dele quando for­mos a Bali.

24 Maio 2005

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