O lado errado

Acor­dava sem­pre lamen­tando o que não acon­te­cera. Como a vez em que não disse à rapa­riga no auto­carro que era bonita como mais nenhuma ou quando, por medo, não pro­tes­tou no res­tau­rante pelo facto de lhe terem ser­vido carne estra­gada. Sem­pre o medo do que pudesse acon­te­cer como car­bu­rante de todas as incer­te­zas, tudo trans­for­mando em hesi­ta­ção. Vivia, é certo. Mas lá den­tro pouco mais que medo e nada. Era uma vida vivida de fora. Do lado errado.

18 Outubro 2005

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« 4 comentários

  • vasco18.10.05 | 17:53

    o medo é a única cer­teza, o para­doxo indis­pen­sá­vel. não ages por­que te conhe­ces melhor que nin­guém. e ao fazêlo, é do outro lado do espe­lho que te encon­tras já, nunca do lado errado.

  • guictx18.10.05 | 18:09

    Claro. Estar do outro lado do espe­lho não é estar do lado errado. Pelo con­trá­rio. O pro­blema não é ter medo. É tudo o que não se tem por causa dele. É o vazio que fica em vez de. Algo de muito pare­cido com isto.

  • h'au:D24.10.05 | 21:39

    Quem tem medo com­pra um cao! Ou entao, quando for grande, con­corre para a PSP!

  • h'au :)24.10.05 | 21:41

    E se o espe­lho e’ daque­les da Feira Popu­lar, onde apa­re­ce­mos sem­pre risi­veis de tao gro­tes­cos? E, se tudo muda, o que sig­ni­fica a nossa ima­gem parada no espelho?

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