Demonstrasaun

A deci­são de dei­xar orga­ni­zar uma mani­fes­ta­ção de con­tes­ta­ção ao Primeiro-Ministro numa cidade em estado de sítio parece, à pri­meira vista, um sinal de para­li­sia cere­bral. Con­tudo, uma aná­lise mais cui­dada per­mite ante­ver que o visado, o Primeiro-Ministro, difi­cil­mente sairá der­ro­tado poli­ti­ca­mente seja qual for o des­fe­cho da mesma:

1. Mani­fes­ta­ção pací­fica — elo­gio aos cida­dãos pela matu­ri­dade demo­crá­tica e ao Governo que per­mite a livre expres­são mesmo numa altura des­tas;
2. Mani­fes­ta­ção vio­lenta, con­tro­lada pelas for­ças inter­na­ci­o­nais — prova de que se trata de um movi­mento arru­a­ceiro e agra­de­ci­mento às for­ças inter­na­ci­o­nais que esti­ve­ram à altura do pro­blema;
3. Mani­fes­ta­ção vio­lenta não con­tro­lada pelas for­ças inter­na­ci­o­nais — prova de que se trata de um movi­mento arru­a­ceiro que as for­ças inter­na­ci­o­nais, tal como as inti­tui­ções de segu­rança e defesa timo­ren­ses, não con­se­gui­ram controlar.

Posto isto, como quem se vai lixar mais uma vez vai ser o mexi­lhão, espero que as for­ças inter­na­ci­o­nais tenham o bom senso de não dei­xar entrar os mani­fes­tan­tes em Díli.

6 Junho 2006

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