Fazer humor

O que me inte­ressa no car­taz que os tipos do Gato Fedo­rento colo­ca­ram no Marquês de Pom­bal não é pro­pri­a­mente a piada em si.
Se o slo­gan “Com por­tu­gue­ses não vamos lá” me parece genial, acaba por con­tras­tar nos objec­ti­vos com o sub-título “A melhor maneira de cha­tear estran­gei­ros é obrigá-los a viver em Por­tu­gal”. Fica-se sem per­ce­ber muito bem se a graça está em chateá-los ou em pre­ci­sar­mos deles ou nas duas coi­sas. Como eles pró­prios diriam: “uma piada um bocado fra­qui­nha”.
O que é notá­vel neste acon­te­ci­mento é outra coisa: o carac­ter público do acto. Não é uma piada dita em horá­rio nobre num pro­grama de tele­vi­são para con­sumo na sala de estar. É um out­door enorme — igual aos que todos os par­ti­dos colo­cam arbi­tra­ri­a­mente em todo o lado sem­pre que lhes ape­tece — colo­cado no cen­tro da cidade, a ridi­cu­la­ri­zar um que já lá estava. O efeito é arra­sa­dor. E é arra­sa­dor não neces­sa­ri­a­mente pela qua­li­dade da piada, mas pelo iné­dito do acto, pelo facto de mar­car fisi­ca­mente aquela pai­sa­gem urbana, por des­mon­tar o que está ao lado usando a mesma lin­gua­gem visual. Cla­ra­mente, uma ques­tão de escala. Muito mais efi­caz que todas as pia­di­nhas sobre o assunto ditas no pro­grama sobre o fas­cismo que deu no Domingo pas­sado.
Numa escala mais pequena, já tínha­mos tido, há dois anos, os nari­zes de palhaço.

6 Abril 2007

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