O leitor

O lei­tor é o habi­tante de Bar­ce­lona que lê ao mesmo tempo que anda.

De livro ou jor­nal aberto nas mãos; na rua, no metro, nas pra­ças e nos par­ques; o lei­tor cami­nha cora­jo­sa­mente con­tra a ili­te­ra­cia, arris­cando a sua inte­gri­dade física pelo fim de um capí­tulo ou pela con­clu­são de um artigo.

O grau de inte­resse que a lei­tura lhe des­perta pode ser ava­li­ado pela altura a que os bra­ços erguem o livro. É útil iden­ti­fi­car cor­rec­ta­mente o inte­resse do lei­tor no livro por­que a sua capa­ci­dade de inte­rac­ção com o mundo exte­rior, nome­a­da­mente com os não-leitores, é direc­ta­mente afec­tada por ele. Se quando o inte­resse é redu­zido o lei­tor apre­senta ape­nas difi­cul­dade em res­pon­der a per­gun­tas, em esta­dos de inte­resse extremo é fre­quente abal­roar outros peões, atra­ves­sar a rua sem olhar, cho­car con­tra árvo­res ou ten­tar entrar na loja pela mon­tra, sem que disso se dê conta.

Assim, perante um lei­tor que cami­nhe de livro aberto à altura da cabeça, o não-leitor inte­res­sado na sua auto-preservação será pru­dente em man­ter uma dis­tân­cia de segu­rança não infe­rior à sua altura.

9 Maio 2008

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« 2 comentários

  • mmux15.10.08 | 15:03

    diz que os gajos da ilha do corvo tam­bém são assim. difi­cil ima­gi­nar, não?

  • guictx16.10.08 | 10:05

    Não se ima­gina a Ilha do Corvo como um sítio onde haja mui­tos livros ou jor­nais, mas de facto não deve haver muito que fazer para além de pes­car baleias e ler.

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