Burocracias

“Ora então, e para que per­ce­bas o dra­ma­tismo da situ­a­ção, e depois de ter de ir várias vezes a cada minis­té­rio para ir puxando mais infor­ma­ções por­que nunca te dizem tudo de uma vez, o pro­cesso de cri­a­ção de empresa por cá é (se não me fal­ta­rem ainda alguns pas­sos) o seguinte:

Pri­meiro, regis­tar o nome da empresa e acti­vi­dade no Minis­té­rio do Turismo, Comér­cio e Indús­tria. Para isso tenho de espe­rar 5 dias úteis. Depois, tenho de ir ao Minis­té­rio das Finan­ças e criar o NIF/TIN da empresa, e para isso espe­rar 3 dias. Depois de o ter, já posso pedir a Cer­ti­dão de Dívi­das, que como será de uma empresa aca­bada de abrir, será obvi­a­mente ima­cu­lado. Para o ter, tenho de espe­rar mais 3 dias. Depois de ter este docu­mento, segundo infor­ma­ção ofi­ci­osa do Direc­tor da Repar­ti­ção do Minis­té­rio do Turismo, Comér­cio e Indús­tria até já posso entre­gar estes dados aos cli­en­tes para come­çar a trabalhar.

Mas desenganem-se os que acham que o pro­cesso de cri­a­ção de empresa por cá pode­ria ser assim tão sim­ples. Depois, tenho de con­ti­nuar com o pro­cesso e tenho de ir ao Banco e criar uma conta em nome da Empresa, e depo­si­tar lá 5000 USD. Com o recibo do depó­sito, tenho de ir ao Minis­té­rio da Jus­tiça e entre­gar os esta­tu­tos da empresa. Para a sua vali­da­ção e apro­va­ção, terei de espe­rar, em média, de 2 a 3 meses.

E pronto, e embora até já tenha even­tu­al­mente feito alguns tra­ba­lhos, só agora terei uma fan­tás­tica empresa nesta bonita terra. Um pro­cesso, como podes ver, fan­tás­tico e alta­mente cati­vante para o inves­ti­mento nesta terra. E o por­me­nor mais deli­ci­oso de todos é que mesmo sendo este o pro­cesso para a cri­a­ção de micro-empresa em nome indi­vi­dual, tenho de indi­car o nº de tra­ba­lha­do­res naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais. E como dono de uma empresa cri­ada por um inter­na­ci­o­nal, sou obri­gado a ter pelo menos um timo­rense contratado.

Lindo, não?”

Um amigo que esco­lheu desen­vol­ver a sua acti­vi­dade em Timor-Leste, enviou-me este relato das suas des­ven­tu­ras recen­tes com a espe­rada e com­pre­en­sí­vel buro­cra­cia de um estado recém-criado.

Não pude dei­xar de pen­sar que na nossa demo­cra­cia de trinta e pou­cos anos ainda há dois era mais ou menos assim.

16 Outubro 2008

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« 3 comentários

  • mmux19.10.08 | 05:05

    segui o link. há um gajo que num comen­tá­rio escreve “Por­tu­gal um país indus­tri­a­li­zado? dis­cordo total­mente, conheço a maoi­ria dos paí­ses do mundo e não temos rigo­ro­sa­mente nada a ver com eles.” o mundo do gajo não deve ser muito grande… deve-lhe fal­tar a áfrica (toda menos a do sul), as amé­ri­cas do sul e cen­tral, a ásia cen­tral toda, o sudo­este asiá­tico todo, o sul da ásia todo, os paí­ses do pací­fico todos. detalhes…

  • guictx19.10.08 | 12:07

    Comen­tá­rio típico de quem ana­lisa o mundo de den­tro do seu auto­mó­vel a gaso­lina, parado algu­res no IC19.

  • Luism20.10.08 | 12:13

    Dei­xem o gajo sonhar…

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