Do mesmo molde

No S2 de Saba­dell para Barcelona.

En Bel­la­terra entram duas senho­ras ido­sas. Aca­bam de se encon­trar e não se viam há muito. Entram agar­ra­das uma à outra: “Que me ale­gro mucho de encon­trarte, es que ya no nos vía­mos hace tiempo”, e a outra “Y que siem­pre nos encon­tra­mos en el tren”. E avan­çam pela car­ru­a­gem à pro­cura de dois luga­res vagos. Encontram-nos mesmo atrás de mim.

Eu estou can­sado e venho o cami­nho todo meio a dor­mi­tar, mas cada vez que des­perto e me foco na con­versa que as duas senho­ras estão a ter, per­cebo que é de remé­dios que falam. De com­pri­mi­dos para as dores, de um tra­ta­mento que uma come­çou e que dura um ano e de que o marido toma estes e eu tomo aqueles…

Dor­mito mais um bocado e volto a despertar.

“Y tu con­su­e­gra como va?”

“Ya sabes que es una mujer muy difí­cil, siem­pre con sus pro­blema, cui­dando de los perros…”

E eu ouço e dor­mito e ouço e dor­mito e mais ou menos por Sar­riá já me per­gunto se as senho­ras não serão por­tu­gue­sas a con­ver­sar em cas­te­lhano para despistar.

10 Julho 2009

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« 2 comentários

  • Luism13.07.09 | 09:51

    Uma velhice normal!

    Um abraço gran­dão para vocês.

  • mmux17.07.09 | 20:03

    diziam “ai minha nossa senhora” no meio dos quei­xu­mes? diziam que a guita da reforma não lhes che­gava para os remé­dios? faziam “ooo­o­o­ooh” antes de dizer “nem podia acreditar”?

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