Um pinguim na garagem

“Vinte e dois anos! Aos vinte e dois, esva­zi­ado de impul­sos, deslocava-me ape­nas, à pro­cura de elo­gios: pre­dava elo­gios. E se era guloso! As peque­nas vitó­rias, sentia-as retum­ban­tes, glo­ri­o­sas, mag­ni­fi­cen­tes — no exacto segundo que as suce­dia. Depois… bem, depois, e afi­nal, já não eram vitó­rias, eram somente mais um sin­toma da minha der­rota. Que eu, eu, sim, eu era uma der­rota con­tí­nua, sobre a qual os outros se diver­tiam, expe­ri­men­ta­vam novas con­di­ções, riam até à exaustão.

O exame ultra­pas­sado, o dinheiro con­se­guido, esta mulher que me sor­risse à mesa de um café, aquela que encon­trasse nos meus bra­ços o difí­cil e lacri­mo­gé­neo orgasmo das viú­vas, esse inte­lec­tual que con­cor­dasse com um qual­quer argu­mento mais arguto, tudo e todos eram acaso, não pas­sa­vam de engano. Como pode­ria alguém, no seu per­feito juízo ou na posse da infor­ma­ção per­ti­nente, diz-me, como pode­ria alguém atribuir-me quais­quer valo­res e competências?”

Quem escreve assim é o luís. Li “Um Pin­guim na Gara­gem” de rajada, em dois dias, e con­ti­nuo a lê-lo cá den­tro, como há muito não me acon­te­cia com um livro.

16 Outubro 2009

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« 1 comentário

  • fernanda16.10.09 | 19:15

    Con­cordo con­tigo. Tam­bém o aca­bei há uns dias e ainda não des­co­lou de mim. Chega a angus­tiar, cola-se…

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