Menos um carro
Quando eu e a minha melhor metade fomos para Barcelona, pensámos que, por ser uma cidade grande e por questões de comodidade, teríamos que levar o carro para lá. Nunca foi preciso. Andámos sempre a pé, de bicicleta e de transportes públicos.
Um ano e meio depois desta vida urbana sem carro estávamos convertidos e, chegados a Lisboa, procurámos uma casa que nos permitisse continuar o mesmo estilo de vida — só faltam as bicicletas. Continuamos a ter carro, mas andamos muito pouco com ele e é frequente termos que fazer um esforço para nos lembrarmos onde ficou estacionado. Eu vou a pé para o meu local de trabalho, fazemos compras no comércio do bairro e para ir mais longe usamos transportes públicos.
É uma sensação contraditória mas eu sinto que, sem carro, tenho mais mobilidade urbana. E definitivamente sinto-me mais humano.
Para me aclimatizar a esta vida sem carro na cidade de Lisboa tenho seguido o Menos um carro (não confundir com a vergonhosa imitação da Carris).
10 Novembro 2009
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Exposição Lisbon Studio
António C. — 10.11.09 | 12:07 ≡
“É uma sensação contraditória mas eu sinto que, sem carro, tenho mais mobilidade urbana. E definitivamente sinto-me mais humano.”
Não é contraditório, a posse do automóvel é muitas vezes um sinal de imobilidade…
luism — 10.11.09 | 15:11 ≡
Óptimo!
mlz — 11.11.09 | 10:32 ≡
Viva.. não é contraditório, é mesmo assim.
Por, vários motivos, onde se inclui a estupidez, tive de levar carro para Lisboa há cerca de um mês. Ora, levei, desde a avenida de Roma até próximo da Mouraria cerca de 1hora. E depois ainda tive de procurar lugar… É importante mencionar que isto foi fora da hora de ponta.
guictx — 11.11.09 | 15:22 ≡
O contraditório é só porque culturalmente eu ainda tenho cá dentro enraízada a ideia de que o automóvel é um símbolo de liberdade individual. E descobrir que afinal é um engano é uma aventura.
miguel — 12.11.09 | 11:47 ≡
como já escrevi aqui http://menos1carro.blogs.sapo.pt/28654.html o automóvel é uma prisão em termos de liberdade em várias situações:
1. eu adoro passear por Lisboa sem rumo. Ir tomar café com um amigo aqui, e depois ir a uma loja ali. Ir de carro (ou mota ou bicicleta!) implica ter sempre um pensamento constantemente na cabeça: tenho que voltar para trás para apanhar o carro. De transportes/taxi não há essa prisão. No sábado estive em trabalho perto de São Bento, e fui indo até ao Chiado, depois Baixa. Nunca tive que voltar para trás.
2. O carro a decidir o que fazemos. Já ouvi tanta tanta vez de quem anda de carro, que não pode ir ao restaurante X porque não tem lugar para estacionar.
guictx — 12.11.09 | 12:58 ≡
Era precisamente a isso que me referia. Sem carro os percursos dentro da cidade são livres e muito mais dinâmicos. Posso ir a pé, apanhar um autocarro, meter-me no metro ou no combóio, de acordo com a disposição, hora do dia ou condições meteorológicas.
Tenho sobretudo a vantagem de me cruzar com as pessoas sem estar protegido por uma carapaça de tonelada e meia. Posso olhá-las nos olhos, falar com elas, observá-las… E é isto que me torna mais humano.
Mmux — 14.11.09 | 04:09 ≡
Tretas.
guictx — 14.11.09 | 16:34 ≡
Tretas não, trétes. Assim é que se diz em crioulo.