Adeus Avó

Vinhas cal­ma­mente perguntar-me o que que­ria para o almoço. Qual­quer coisa, avó. Com um sor­riso: que­res um bife com bata­tas fri­tas e ovo estre­lado? Sim, sor­ria eu tam­bém.
Era nos dias em que os pais não esta­vam, o que dava a todo o ritual con­tor­nos de segredo, como se esti­vés­se­mos a fazer uma tra­qui­nice.
Pouco depois comía­mos. Eu, exta­si­ado, prin­ci­pal­mente com o ovo estre­lado e as bata­tas fri­tas. Tu, sor­ri­dente, com os legu­mes cozi­dos. Rara­mente falá­va­mos e eu nunca encon­trava pala­vras cer­tas para te dizer. Comía­mos em silên­cio.
Mas eu sem­pre soube que aquela refei­ção sofre­ga­mente devo­rada, as bata­tas fri­tas, o ovo estre­lado, o bife, o arroz meio malan­dro, tinha mais afecto que todas as pala­vras que me pudes­ses dizer.

Díli, 15 de Março de 2004

17 Setembro 2011

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