Desenvolvimentos
Um bonito texto do Nuno a fazer lembrar uma questão que sempre me ocupou a cabeça quando trabalhava no contexto do apoio ao desenvolvimento: quem é que ajuda quem a desenvolver-se?
31 Outubro 2008 | 2 comentários
Um bonito texto do Nuno a fazer lembrar uma questão que sempre me ocupou a cabeça quando trabalhava no contexto do apoio ao desenvolvimento: quem é que ajuda quem a desenvolver-se?
31 Outubro 2008 | 2 comentários

Vem ter comigo enquanto almoço no jardim. Digo-lhe “sienta” e ele senta-se à minha frente a olhar para a minha comida. Fica uns cinco minutos nisto, a ver se lhe sobra alguma coisa, e depois vai à vida dele.
28 Outubro 2008 | 6 comentários
A minha relação com o castelhano ainda é muito insipiente, mas já lhe noto uma incrível vantagem em relação ao inglês como língua de utilização quotidiana: está muito mais próximo da forma como penso.
Falar inglês sempre me fez sentir uma certa dissociação entre o que estou a dizer e o que estou a pensar; pior, às vezes ouço-me a falar inglês e pergunto-me “Quem é este gajo?”.
O castelhano sai com mais naturalidade. Os maneirismos, as expressões, os estados de espírito são muito mais semelhantes à minha forma de pensar estruturada pelo português.
Não há-de faltar muito para me começar a sentir ibérico.
27 Outubro 2008 | 3 comentários
Põe-se um molho de acelgas a cozer em água a ferver durante cerca de dez minutos.
Enquanto cozem, corta-se um quarto de pimento às tiras, pica-se um tomate e põe-se tudo a refogar numa frigideira.
Depois de cozidas e bem escorridas, cortam-se as acelgas aos bocados, juntam-se ao refogado e deixa-se estar tudo para ali a fazer barulho enquanto se lava a loiça que se sujou até agora.
Juntam-se então dois ou três ovos, abertos directamente para a frigideira, e mexe-se vigorosamente até estarem quase feitos, altura em que se tempera com sal e pimenta a gosto.
24 Outubro 2008 | 5 comentários
Deve haver muito poucas coisas tão simultaneamente deselegantes e prejudiciais para o corpo de uma mulher como correr de saltos altos.
23 Outubro 2008 | 5 comentários
As datas que aparecem aqui em cima e ao lado, por trás dos artigos, mudam de cor conforme a temperatura ambiente que faz no sítio onde estou. Há uns meses eram de um vermelho queimado, agora estão esverdeadas e, se a natureza seguir o seu rumo, daqui por uns meses estarão azuis.
20 Outubro 2008 | 2 comentários
“E nada proíbe pensar-se que um dia um negro venha a ser eleito presidente dos Estados Unidos e um branco, presidente da África do Sul. Semelhante eventualidade só parece, no entanto, ser de considerar no fim de um processo eficaz de harmonização interna, de integração e de maturação, quando cada um dos candidatos possa ser julgado pelos seus próprios concidadãos pelas suas qualidades humanas e pelas suas opiniões e não pelas pertenças que herdou. Escusado é dizer que não nos encontramos nesse ponto.” ¹
Dez anos depois parecemos prestes a chegar lá.
¹ MALOUF, Amin — As Identidades Assassinas. Miraflores: Difel, 1999.
19 Outubro 2008 | 4 comentários
Uma alemã, dois argentinos, quatro catalães, duas chinesas, um dominicano, dois mexicanos, um boliviano, um colombiano, um estado-unidense, um italiano, uma marroquina, uma peruana, uma polaca, um português, uma vietnamita.
Todos a cantar o “Parabéns a Você” cada um na sua língua e ao mesmo tempo, por ocasião do aniversário de uma colega de trabalho.
17 Outubro 2008 | Sem comentários
“Ora então, e para que percebas o dramatismo da situação, e depois de ter de ir várias vezes a cada ministério para ir puxando mais informações porque nunca te dizem tudo de uma vez, o processo de criação de empresa por cá é (se não me faltarem ainda alguns passos) o seguinte:
Primeiro, registar o nome da empresa e actividade no Ministério do Turismo, Comércio e Indústria. Para isso tenho de esperar 5 dias úteis. Depois, tenho de ir ao Ministério das Finanças e criar o NIF/TIN da empresa, e para isso esperar 3 dias. Depois de o ter, já posso pedir a Certidão de Dívidas, que como será de uma empresa acabada de abrir, será obviamente imaculado. Para o ter, tenho de esperar mais 3 dias. Depois de ter este documento, segundo informação oficiosa do Director da Repartição do Ministério do Turismo, Comércio e Indústria até já posso entregar estes dados aos clientes para começar a trabalhar.
Mas desenganem-se os que acham que o processo de criação de empresa por cá poderia ser assim tão simples. Depois, tenho de continuar com o processo e tenho de ir ao Banco e criar uma conta em nome da Empresa, e depositar lá 5000 USD. Com o recibo do depósito, tenho de ir ao Ministério da Justiça e entregar os estatutos da empresa. Para a sua validação e aprovação, terei de esperar, em média, de 2 a 3 meses.
E pronto, e embora até já tenha eventualmente feito alguns trabalhos, só agora terei uma fantástica empresa nesta bonita terra. Um processo, como podes ver, fantástico e altamente cativante para o investimento nesta terra. E o pormenor mais delicioso de todos é que mesmo sendo este o processo para a criação de micro-empresa em nome individual, tenho de indicar o nº de trabalhadores nacionais e internacionais. E como dono de uma empresa criada por um internacional, sou obrigado a ter pelo menos um timorense contratado.
Lindo, não?”
Um amigo que escolheu desenvolver a sua actividade em Timor-Leste, enviou-me este relato das suas desventuras recentes com a esperada e compreensível burocracia de um estado recém-criado.
Não pude deixar de pensar que na nossa democracia de trinta e poucos anos ainda há dois era mais ou menos assim.
16 Outubro 2008 | 3 comentários