Para se poderem enfadar mais e melhor, adicionei um rodapé que permite o acesso às entradas mais antigas deste blogue, agrupadas por páginas. Aproveitei também para adicionar à barra lateral a óbvia ligação para o estúdio boq.
Em Barcelona, vivia ao lado do Departament de Treball da Catalunha. As manifestações regulares, em média duas por semana, começaram algures em Janeiro de 2009 e duravam ainda quando voltei em Julho. Grandes manifestações de centrais sindicais com que me cruzei no meu quotidiano catalão contei quatro. Em Março deste ano, a polícia punha fim a uma ocupação pacífica de 118 dias na Universidade de Barcelona por causa do processo de Bolonha. E a um quarteirão de minha casa, na esquina oposta ao Departament de Treball, ocupou-se no final de 2008 um prédio devoluto que passou a ser um centro social aberto ao bairro.
Se há uma certeza com que voltei da Catalunha, e que concorda com a análise do Ricardo Noronha no Cinco Dias, é que por lá a cidadania é muito mais contestatária, participativa e “crispada” do que em Portugal.
A pé pela cidade, recebo, com agrado, os cumprimentos e acenos dos automobilistas que avançam à minha frente na passadeira, impedindo a minha pedestre progressão. É de louvar que na iminência do atropelo tenham o sangue frio e a simpatia de me dizer olá.
Por ocasião do seu aniversário, um vídeo filmado em Super 8 no distrito de Oecussi, Timor-Leste, em finais de Abril de 2006, com alguns trechos captados pelo próprio aniversariante.
NOTA: Contém imagens eventualmente chocantes para pessoas sensíveis a enxurradas.
O filme começa com uma janela. Durante os primeiros minutos vemos várias janelas em momentos diferentes do dia e da noite. Durante os mesmos primeiros minutos os planos sobre as janelas, tomado sempre a partir do mesmo ponto, vão se afastando para revelar que estamos num logradouro, a observar as janelas dos prédios que o compõem.
Identificado o logradouro, começamos a ver pessoas dentro das suas casas a viver a sua vida. Observamo-las através das janelas, em função daquilo que os dispositivos de controlo de privacidade permitem — persianas, cortinas, vidro fosco — ou nos momentos em que aceitam expor-se — vir à varanda, estar à janela, abrir as cortinas. As pessoas também ocupam alguns dos espaços do logradouro e isso mesmo vamos também observando em planos intercalados com os das janelas.
A pouco e pouco o universo de pessoas e espaços observados vai-se limitando e, por fim, estamos a acompanhar apenas três ou quatro espaços — pessoas. Por esta altura somos todos voyeurs e o realizador um provável sociopata. Dá-se então o salto.
Saímos do logradouro e estamos na rua. Tocamos a campaínhas, entramos em prédios, subimos escadas e alguém nos abre a porta. Entramos. Percebemos que estamos em casa das pessoas que observávamos através das janelas ou dos pátios.
Falamos com elas. Contam-nos a sua história: a que as levou a este logradouro. Falam-nos também sobre as cortinas e as persianas e as janelas e as varandas e os pátios. Contam-nos que se sentem observadas na marquise e que por isso correm sempre as persianas; que gostam de ver os vizinhos e que por isso não têm cortinas; que gostam de fumar à janela a ver os gatos lá em baixo. Falam-nos de vergonha, de privacidade, de intimidade, de exibição, mas também de roupa a secar, de molas caídas, de gatos perdidos, de periquitos estridentes.
No fim vemos o logradouro, desta vez tomado de um conjunto de pontos diferentes, pela primeira vez configurado como um todo.
Construída entre 1921 e 1940 em Copenhaga, com projecto do arquitecto dinamarquês Peder Vilhelm Jensen-Klint, a Igreja de Grundtvig é uma das mais bonitas que já visitei. Toda em alvenaria de tijolo maciço é de uma simplicidade e austeridade só possíveis quando se é luterano e faz frio.
“A lifestream is a time-ordered stream of documents that functions as a diary of your electronic life.” *
Tenho andado há que tempos a pensar que devia reunir de alguma forma as várias coisas que vou publicando no blogue, no flickr, no vimeo ou no twitter. Por isso decidi agarrar nos feeds de cada um destes sítios, remisturei-os e criei o meu próprio lifestream.
O resultado é um feed RSS que agrega todos as supracitadas fontes e as republica por ordem cronológica. Se me quiserem ajudar a avaliar o funcionamento e a relevância da empreitada, podem subscrevê-lo clicando aqui ou a partir do meu sítio pessoal (se tiverem um browser com auto-detecção de feeds, claro).
Obrigado.
* FREEMAN, E.; GELERNTER, D. — Lifestreams: a storage model for personal data. SIGMOD Rec., 25:1 (1996) 80 – 86.
Esta entrada do Tiago no Cinco Dias, faz-me pensar na falta que faz a Portugal um site tipo FactCheck.org, que se dedique única e exclusivamente a construir a narrativa das oscilações de opinião e a desmontar a retórica dos políticos portugueses através das suas declarações à comunicação social.