Simpatia automóvel

A pé pela cidade, recebo, com agrado, os cum­pri­men­tos e ace­nos dos auto­mo­bi­lis­tas que avan­çam à minha frente na pas­sa­deira, impe­dindo a minha pedes­tre pro­gres­são. É de lou­var que na imi­nên­cia do atro­pelo tenham o san­gue frio e a sim­pa­tia de me dizer olá.

25 Novembro 2009 | Sem comentários

Para o Nuno

Por oca­sião do seu ani­ver­sá­rio, um vídeo fil­mado em Super 8 no dis­trito de Oecussi, Timor-Leste, em finais de Abril de 2006, com alguns tre­chos cap­ta­dos pelo pró­prio aniversariante.

NOTA: Con­tém ima­gens even­tu­al­mente cho­can­tes para pes­soas sen­sí­veis a enxurradas.

17 Novembro 2009 | 4 comentários

O logradouro

O filme começa com uma janela. Durante os pri­mei­ros minu­tos vemos várias jane­las em momen­tos dife­ren­tes do dia e da noite. Durante os mes­mos pri­mei­ros minu­tos os pla­nos sobre as jane­las, tomado sem­pre a par­tir do mesmo ponto, vão se afas­tando para reve­lar que esta­mos num logra­douro, a obser­var as jane­las dos pré­dios que o compõem.

Iden­ti­fi­cado o logra­douro, come­ça­mos a ver pes­soas den­tro das suas casas a viver a sua vida. Observamo-las atra­vés das jane­las, em fun­ção daquilo que os dis­po­si­ti­vos de con­trolo de pri­va­ci­dade per­mi­tem — per­si­a­nas, cor­ti­nas, vidro fosco — ou nos momen­tos em que acei­tam expor-se — vir à varanda, estar à janela, abrir as cor­ti­nas. As pes­soas tam­bém ocu­pam alguns dos espa­ços do logra­douro e isso mesmo vamos tam­bém obser­vando em pla­nos inter­ca­la­dos com os das janelas.

A pouco e pouco o uni­verso de pes­soas e espa­ços obser­va­dos vai-se limi­tando e, por fim, esta­mos a acom­pa­nhar ape­nas três ou qua­tro espa­ços — pes­soas. Por esta altura somos todos voyeurs e o rea­li­za­dor um pro­vá­vel soci­o­pata. Dá-se então o salto.

Saí­mos do logra­douro e esta­mos na rua. Toca­mos a cam­paí­nhas, entra­mos em pré­dios, subi­mos esca­das e alguém nos abre a porta. Entra­mos. Per­ce­be­mos que esta­mos em casa das pes­soas que obser­vá­va­mos atra­vés das jane­las ou dos pátios.

Fala­mos com elas. Contam-nos a sua his­tó­ria: a que as levou a este logra­douro. Falam-nos tam­bém sobre as cor­ti­nas e as per­si­a­nas e as jane­las e as varan­das e os pátios. Contam-nos que se sen­tem obser­va­das na mar­quise e que por isso cor­rem sem­pre as per­si­a­nas; que gos­tam de ver os vizi­nhos e que por isso não têm cor­ti­nas; que gos­tam de fumar à janela a ver os gatos lá em baixo. Falam-nos de ver­go­nha, de pri­va­ci­dade, de inti­mi­dade, de exi­bi­ção, mas tam­bém de roupa a secar, de molas caí­das, de gatos per­di­dos, de peri­qui­tos estridentes.

No fim vemos o logra­douro, desta vez tomado de um con­junto de pon­tos dife­ren­tes, pela pri­meira vez con­fi­gu­rado como um todo.

17 Novembro 2009 | 2 comentários

Grundtvigs Kirke

Cons­truída entre 1921 e 1940 em Cope­nhaga, com pro­jecto do arqui­tecto dina­marquês Peder Vilhelm Jensen-Klint, a Igreja de Grundt­vig é uma das mais boni­tas que já visi­tei. Toda em alve­na­ria de tijolo maciço é de uma sim­pli­ci­dade e aus­te­ri­dade só pos­sí­veis quando se é lute­rano e faz frio.

Fachada principal da Igreja de Grundtvig

Nave principal da Igreja de Grundtvig

Barco no cruzamento das naves

Pus um con­junto de fotos da igreja no flickr.

16 Novembro 2009 | Sem comentários

Lifestream

“A lifes­tream is a time-ordered stream of docu­ments that func­ti­ons as a diary of your elec­tro­nic life.” *

Tenho andado há que tem­pos a pen­sar que devia reu­nir de alguma forma as várias coi­sas que vou publi­cando no blo­gue, no flickr, no vimeo ou no twit­ter. Por isso decidi agar­rar nos feeds de cada um des­tes sítios, remisturei-os e criei o meu pró­prio lifes­tream.

O resul­tado é um feed RSS que agrega todos as supra­ci­ta­das fon­tes e as repu­blica por ordem cro­no­ló­gica. Se me qui­se­rem aju­dar a ava­liar o fun­ci­o­na­mento e a rele­vân­cia da emprei­tada, podem subscrevê-lo cli­cando aqui ou a par­tir do meu sítio pes­soal (se tive­rem um brow­ser com auto-detecção de feeds, claro).

Obri­gado.

* FREEMAN, E.; GELERNTER, D. — Lifestreams: a sto­rage model for per­so­nal data. SIGMOD Rec., 25:1 (1996) 80 – 86.

15 Novembro 2009 | Sem comentários

Fact checking

Esta entrada do Tiago no Cinco Dias, faz-me pen­sar na falta que faz a Por­tu­gal um site tipo FactCheck.org, que se dedi­que única e exclu­si­va­mente a cons­truir a nar­ra­tiva das osci­la­ções de opi­nião e a des­mon­tar a retó­rica dos polí­ti­cos por­tu­gue­ses atra­vés das suas decla­ra­ções à comu­ni­ca­ção social.

Alguém se voluntaria?

13 Novembro 2009 | Sem comentários

Vaporizados

Vaporizados

12 Novembro 2009 | 2 comentários

Our Jargon Muffles the Drum

The empty hand of inno­cence
trans­fu­sing street of the sor­rows
and chil­dren of the wood
Houn­ded, shred­ding all veils
and win­ding all she­ets of the dead world dro­ning
Over­tur­ning tables laden with sil­ver sacri­fi­cial birds
Bea­ting goat-skin drums
Advan­cing with hands out-stretched
and we keep fil­ling them with mer­cury nitrate, asbes­tos
Baby bombs blas­ting blue
Sca­ven­gers pic­king through the ashes
Chil­dren of the mills!
Chil­dren of the junkyards!
Sle­epy, illi­te­rate, fuzzy lit­tle rats
haun­ted, paint-sniffin’,
sto­ned out of their sha­ved heads
For­got­ten, fora­ging, mys­ti­cal chil­dren
Foul-mouthed, glassy eyed, hallucinating

Excerto do poema Our Jar­gon Muf­fles the Drum de Patti Smith, usado na sua ver­são de Smells Like Teen Spi­rit dos Nirvana.

11 Novembro 2009 | Sem comentários

Menos um carro

Quando eu e a minha melhor metade fomos para Bar­ce­lona, pen­sá­mos que, por ser uma cidade grande e por ques­tões de como­di­dade, tería­mos que levar o carro para lá. Nunca foi pre­ciso. Andá­mos sem­pre a pé, de bici­cleta e de trans­por­tes públicos.

Um ano e meio depois desta vida urbana sem carro está­va­mos con­ver­ti­dos e, che­ga­dos a Lis­boa, pro­cu­rá­mos uma casa que nos per­mi­tisse con­ti­nuar o mesmo estilo de vida — só fal­tam as bici­cle­tas. Con­ti­nu­a­mos a ter carro, mas anda­mos muito pouco com ele e é fre­quente ter­mos que fazer um esforço para nos lem­brar­mos onde ficou esta­ci­o­nado. Eu vou a pé para o meu local de tra­ba­lho, faze­mos com­pras no comér­cio do bairro e para ir mais longe usa­mos trans­por­tes públicos.

É uma sen­sa­ção con­tra­di­tó­ria mas eu sinto que, sem carro, tenho mais mobi­li­dade urbana. E defi­ni­ti­va­mente sinto-me mais humano.

Para me acli­ma­ti­zar a esta vida sem carro na cidade de Lis­boa tenho seguido o Menos um carro (não con­fun­dir com a ver­go­nhosa imi­ta­ção da Car­ris).

10 Novembro 2009 | 8 comentários

Polaroids

Polaroids

As pola­roids vão ser apre­sen­ta­das pela pri­meira vez ao público. Depois digo onde.

9 Novembro 2009 | 6 comentários