Um voo hilariante. No avião está escrito o slogan que define a Wings Air como companhia aérea de baixo custo: “Fly is Cheap”. O verbo conjugado erradamente, assim em letras garrafais, fez com que entrássemos lã dentro já a rir que nem perdidos. Os bancos, claro, não tinham espaço para as pernas e tudo tinha um ar meio segunda-mão. As hospedeiras, certamente estudantes universitárias a fazer um dinheiro extra, usavam umas t-shirts dois números abaixo com AIR CREW escrito nas costas o que lhes dava um ar de empregada de discoteca. Na bolsa do banco, junto com as instruções de segurança, um folheto com rezas em todas as religiões e línguas a pedir a deus que ajudasse a tripulação a levar o avião em segurança para o seu destino. Por esta altura, o meu companheiro de viagem, que sofre de aerofobia, estava já num estado de nervos considerável, embora não parecesse porque se continuava a rir que nem um estúpido. Finalmente reparámos que a seguir à fila 12 se sucedia a 15. Certamente alguém entendeu que, dadas as condições do aparelho e o amadorismo de toda a operação, remover a fila 13 talvez não fosse suficiente para evitar o azar.
Por uma hora de riso e para ir de Yogyakarta a Denpasar, apenas 178.040 rupias (~ 19$). Recomendo vivamente.
1 Março 2005 | 3 comentários
Em Yogyakarta, à saída do avião, sob chuva torrencial, um funcionário do aeroporto distribuía guarda-chuvas prateados aos passageiros para que estes se abrigassem durante o percurso a pé até à porta do terminal doméstico. Sem dúvida o mais bonito desembarque de avião a que já assisti.
1 Março 2005 | 2 comentários
Ku dé ta é uma expressão indonésia que quer dizer, pasme-se, golpe de estado, ou seja, uma transcrição fonética directa da expressão francesa coup d’état.
É tambem o nome do restaurante onde fui jantar ontem à noite. Um oásis de cosmopolitismo nesta ilha onde abunda o género de diversão para turistas australianos de xanatos: cerveja a rodos e gipsy kings.
O Ku dé Ta, em Seminyak, é outro campeonato. Nouvelle cuisine meia fusão, carta de vinhos como deve ser, um edifício arranjadinho e uma esplanada voltada para a praia com umas espreguiçadeiras capazes de inibir o movimento durante horas. Tudo acompanhado de uma selecção musical inédita nestas bandas (sem contar com as festas animadas pelo DJ Farfalha): Nouvelle Vague, Shirley Bassey remisturada, Thievery Corporation e, mais para o final da noite, um techno-lounge de muito bom gosto.
Comi brioche d’escargot de entrada, lobster spaghetinni como prato principal e para sobremesa uma bento box, que é uma travessa com seis caixinhas que trazem gelado, fruta variada e palitos doces.
Tudo tão bom e num ambiente tao urbano que até me custou a acreditar. Foi mesmo em grande.
Um gajo às vezes tem que se tratar bem!
26 Fevereiro 2005 | 2 comentários
Os putos que vivem à volta do aeroporto de Dili serão certamente dos mais afortunados da cidade. Para além de verem de muito perto os aviões a levantar e a aterrar, praticam um divertimento único.
Juntam-se aos vinte ou trinta no fim da pista de aterragem, do lado de lá da vedação e aguardam pacientemente que o avião da Merpati, um Boeing 727, vá ter com eles, dê meia-volta e ligue os motores a toda a força para levantar em direcção a Denpasar. Nesse momento agacham-se, agarram-se uns aos outros e levam com o vento quente, a cheirar a petróleo, com uma força que transforma a estrada de terra batida numa nuvem de poeira.
A primeira vez que vi isto estava no mesmo sítio, dentro de um carro com os vidros fechados. Fiquei preocupado quando vi ali os miúdos e os ouvi aos berros por entre o rugido dos motores. Quando o carro acabou de abanar e a poeira assentou, procurei-os pensando que se podiam ter magoado. Nada mais errado. Estavam ainda agarrados uns aos outros, com os olhos vermelhos e rebolados de riso.
Ontem lá estavam outra vez. Para aí uns vinte agarrados a vedação, já a sorrir de impaciência, antevendo a descarga de adrenalina que se iria seguir.
26 Fevereiro 2005 | 4 comentários
O último a chegar a Ubud é um ovo podre.
25 Fevereiro 2005 | 1 comentário

E se em vez de estares para aí com mariquices de roda do blogue viesses jantar connosco?
Preferes sashimi de atum ou sushi mori?
24 Fevereiro 2005 | Sem comentários
O suave dorido que sinto no corpo diz-me que ele gostou muito da aula de yoga a que foi ontem.
24 Fevereiro 2005 | 1 comentário
162A. EXT. CITY STREET — LATE AFTERNOON/EVENING
CUT OF SAILOR’S FACE — a bright light illuminates it.
In the sky above Sailor, a large glowing bubble holding the beautiful Good Witch of the North comes floating down above him.
GOOD WITCH
Sailor Ripley…
Sailor’s eyes suddenly see the Good Witch through his closed eyelids.
His mouth speaks through closed lips.
SAILOR
The Good Witch…
GOOD WITCH
Sailor… Lula loves you.
SAILOR
But I’m a robber and a manslaughterer
and I haven’t had any parental
guidance.
GOOD WITCH
She’s forgiven you of all these things
… You love her… Don’t be
afraid, Sailor.
SAILOR
But I’m wild at heart.
GOOD WITCH
If you are truly wild at heart, you’ll
fight for your dreams… Don’t turn
away from love, Sailor… Don’t turn
away from love… Don’t turn away
from love.
The Good Witch disappears.
Excerto do argumento para o filme “Wild at Heart”, escrito por David Lynch, a partir do livro homónimo de Barry Gifford.
21 Fevereiro 2005 | Sem comentários
A ideia era simples e demasiado imprevista para não se concretizar: visitar as sedes de campanha dos partidos políticos candidatos às Eleições Legislativas 2005 e pedir o respectivo programa eleitoral. Entusiasmado, um grande amigo meu decidiu levantar o rabo do degrau e apresentar os resultados aqui: Eleições I, Eleições II, Eleições III, Eleições IV.
Agora há que aprofundar a análise, retirar conclusões e pôr já em marcha novos projectos de pesquisa para os actos eleitorais que se avizinham.
21 Fevereiro 2005 | 2 comentários
O António é um miúdo que crava trocos ao pé do City Café. Chega-se ao pé das pessoas e diz, com o ar mais infeliz do mundo: “Tem fômi”. Como não lhe dou esmola, ponho-me a falar com ele.
— Vais à escola?
— Sim.
— A professora é portuguesa?
— Timorense.
— E tiveste boas notas?
— Sim. 10 a Português, 9 a Matemática, 10 a Belas-Artes…
— Mas isso não são boas notas!!!
— Sim! São!
Por esta altura o António, já com o maior o sorriso do mundo porque gosta de conversar, lembra-se que está ali para cravar trocos e volta a dizer com o ar mais triste do mundo: “Têm fômi”. “És muito esperto tu!”, digo-lhe, e ele sorri todo malandro.
No outro dia fotografei-o e dei-lhe a polaroid. Desde então já não me diz que tem fome. Agora o que ele precisa mesmo é que eu lhe tire mais fotografias.
19 Fevereiro 2005 | 1 comentário