Singapura

…pas­sen­gers ple­ase go to gate C13 for ime­di­ate boarding.

17 Dezembro 2004 | 1 comentário

Azáfama

Devol­ver livro ao Dan (não esta­vas lá agora só em Janeiro!).
Ir ao mer­cado dos tais.
Pedir 20 exem­pla­res da bro­chura.
Fazer bac­kup do disco rígido.
Des­mon­tar e acon­di­ci­o­nar disco rígido.
Impri­mir reserva do hotel.
Tra­zer por­tá­teis para o escri­tó­rio.
Tele­fo­nar à Cris­tina.
Arru­mar mesa de tra­ba­lho.
Jan­tar com ami­gos.
Apa­nhar o avião.

14 Dezembro 2004 | 1 comentário

Arrogância tectónica

Cha­mam a isto um sismo?

Ontem à noite tive­mos este e quase nem dei por ele…

14 Dezembro 2004 | Sem comentários

Atauro Express

Bilhete do ferry para Ataúro

13 Dezembro 2004 | Sem comentários

Abertura

Para os que só agora sin­to­ni­za­ram a nossa emis­são, infor­ma­mos que este ser­viço se encon­trava dis­po­ní­vel já há cerca de um mês, nou­tro canal, pas­sando agora a emi­tir nesta frequên­cia. A razão por­que não tinha ainda sido tor­nado público prende-se com a fobia pato­ló­gica ao insu­cesso por parte do autor. Reto­ma­mos então a nossa pro­gra­ma­ção regu­lar, fazendo votos para que se sinta aqui como se esti­vesse na casa de outra pes­soa qualquer.

10 Dezembro 2004 | 1 comentário

Diálogo (excerto)

guictx says:
    isso vai?
joana lobo says:
    vai indo…
guictx says:
    menos mal
guictx says:
    pior era se não fosse
joana lobo says:
    e tu vais?
guictx says:
    para onde?
joana lobo says:
    não sei…indo…
guictx says:
    vou
joana lobo says:
    fixe! pior era se não fosses…

9 Dezembro 2004 | Sem comentários

Amok

“— Amok ?… je crois me sou­ve­nir… c’est une espèce d’ivresse chez les Malais…
 — C’est plus que de l’ivresse… c’est de la folie, une sorte de rage humaine… une crise de mono­ma­nie meur­trière et insen­sée, à laquelle aucune into­xi­ca­tion alco­o­li­que ne peut se com­pa­rer. Moi-même, au cours de mon séjour là-bas, j’ai étudié quel­ques cas — lorsqu’il s’agit des autres on est tou­jours pers­pi­cace et très posi­tif —, mais sans que j’aie pu jamais décou­vrir l’effrayant secret de leur ori­gine… C’est lié sans doute, d’une cer­taine façon, au cli­mat, à cette atmosphère dense et étouf­fante qui oppresse les nerfs comme un orage, jusqu’à ce qu’ils cra­quent… Donc l’amok… oui, l’amok, voici ce que c’est: un Malais, n’importe– quel brave homme plein de dou­ceur, est en train de boire pai­si­ble­ment son breu­vage… il est là, apathi­que­ment assis, indif­fé­rent et sans éner­gie… tout comme j’étais assis dans ma cham­bre… et sou­dain il bon­dit, sai­sit son poig­nard et se pré­ci­pite dans la rue… il court tout droit devant lui, tou­jours devant lui, sans savoir où… Ce qui passe sur son che­min, homme ou ani­mal, il l’abat avec son kriss, et l’odeur du sang le rend encore plus vio­lent… Tan­dis qu’il court, la bave lui vient aux lèvres, il hurle comme un pos­sédé… mais il court, court, court, ne regarde plus à gau­che, ne regarde plus à droite, ne fait plus que cou­rir avec un hur­le­ment stri­dent, en tenant dans cette course épou­van­ta­ble, droit devant lui, son kris ensan­glanté… Les gens des vil­la­ges savent qu’aucune puis­sance au monde ne peut arrê­ter un amok… et quand ils le voi­ent venir, ils vocifè­rent, du plus loin qu’ils peu­vent, en guise d’avertissement: “Amok ! Amok !” et tout s’enfuit… Mais lui, sans enten­dre, pour­suit sa course ; il court sans enten­dre, il court sans voir, il assomme tout ce qu’il ren­con­tre… jusqu’à ce qu’on l’abatte comme un chien enragé ou qu’il s’effondre, anéanti et tout écumant…”

Ste­fan Zweig, Amok

6 Dezembro 2004 | Sem comentários

Como quem mete nojo

Cabana da Tua Koin Eco Village

Vou pas­sar o fim-de-semana nesta cabana. Fica no Tua Koin Eco Vil­lage em Ataúro que é uma ilha 40 km a Norte de Díli. Como já lá estive sei que vão ser dois dias do mais pro­fundo des­canso, pas­sa­dos sobre­tudo na posi­ção hori­zon­tal. Ora dei­tado no alpen­dre ali de cima, ora na areia da praia em frente, ora debaixo de água a pre­gar aos pei­xes que vivem no recife de coral a 50 metros da praia. Enfim… um ver­da­deiro enfado.

3 Dezembro 2004 | 1 comentário

500 e poucas polaroids antes…

(…) Interessa-me explo­rar algu­mas coi­sas com esta ideia.

Em pri­meiro lugar, o momento da esco­lha. Como só posso tirar uma foto por dia, o momento em que decido regis­tar só pode acon­te­cer uma vez — ape­nas uma coisa para foto­gra­far ao longo do dia. Isto sig­ni­fica que se tiro uma ao acor­dar posso dei­xar a máquina em casa e que, da mesma forma, corro o risco de che­gar ao fim do dia sem ter feito esco­lha nenhuma. Esta esco­lha vai ser mais moti­vada por um impulso, ima­gino, do que pro­pri­a­mente por deleite esté­tico. Faz parte das regras que não posso alte­rar o meu dia-a-dia por causa das pola­roids, ou seja, ir a um sítio tirar uma foto­gra­fia não vale.

Em segundo lugar, a ins­tan­ta­nei­dade do suporte e a pos­si­bi­li­dade de con­fron­tar a coisa com o registo da coisa. Diverte-me a pers­pec­tiva de olhar para uma laranja e ter na mão a foto­gra­fia da mesma laranja.

Por fim estou muito curi­oso em obser­var o con­junto de foto­gra­fias a cres­cer. Tal­vez este registo quo­ti­di­ano possa cons­ti­tuir, pas­sado algum tempo, um uni­verso per si, com qua­li­da­des pró­prias. Ou tal­vez possa ser um álbum ranhoso de ima­gens des­fo­ca­das e desin­te­res­san­tes. Não sei o que esperar.

Depois quero mar­car em cada foto­gra­fia a data. Para isso estou a pen­sar com­prar um carimbo data­dor. Em ter­mos de pro­cesso o carimbo ajuda a uni­for­mi­zar o registo, mas o que me fas­cina é o carác­ter de fecho… Não é bem isto… Expli­cando melhor, o acto de carim­bar encerra um assunto, tem esse carác­ter de fechar qual­quer coisa, de tér­mino, e isto parece-me o ideal como remate do processo.

Há um pri­meiro momento de iden­ti­fi­ca­ção da situ­a­ção, hesito, depois agarro na máquina, hesito outro vez, aponto, hesito e ainda posso desis­tir, dis­paro e já não desisto, espero que ela revele, tiro o carimbo, ajusto a data, passo-o na almo­fada e imprimo a data na foto­gra­fia. E é por isto, pen­sando nesta sequên­cia que o carimbo me parece fazer mais sen­tido do que escre­ver com uma caneta, por exemplo. (…)

2 Dezembro 2004 | 1 comentário

O problema dos que esperam

“274– O pro­blema dos que espe­ram — São pre­ci­sos mui­tos gol­pes de sorte e mui­tas coi­sas incal­cu­lá­veis para que um homem supe­rior, em quem dorme a solu­ção de um pro­blema, che­gue ainda a tempo para agir — “à explo­são”, como se pode­ria dizer. Em geral, tal não acon­tece, e em todos os recan­tos da terra há os que espe­ram, que mal sabem em que medida espe­ram, mas menos ainda sabem que espe­ram em vão. Por vezes, tam­bém, chega tarde de mais o toque de alvo­rada, aquele acaso que dá a “licença” para agir — acon­tece quando a melhor juven­tude e força de agir estão gas­tas pelo estar-se sen­tado; e quan­tos não des­co­bri­ram com espanto, ao levantarem-se “sobres­sal­ta­dos”, que tinham os mem­bros dor­men­tes e o espí­rito estava pesado de mais! “É tarde de mais”, disse, tor­nado des­crente de si pró­prio e, agora, inú­til para sempre. — Será que, no reino do génio, o “Rafael sem mãos”, enten­dida a pala­vra no sen­tido mais lato, não é tal­vez a excep­ção, mas a regra? — O génio tal­vez não seja tão raro: mas são-no as qui­nhen­tas mãos que ele neces­sita para tira­ni­zar o “XXXXX”(grego), “o tempo oportuno” — para agar­rar o acaso pelos cabelos!”

Fri­e­drich Nietzs­che, Para Além do Bem e do Mal

2 Dezembro 2004 | Sem comentários