Inédito

Há bocado deu-me uma grande von­tade de cor­rer.
E corri.

29 Novembro 2004 | Sem comentários

A festa

Fotografias da festa

O que têm em comum Bran Van 3000, Serge Gains­bourg, Death in Vegas, Franz Fer­di­nand, ABBA, Röyk­sopp, OMD, Mouse on Mars e Base­ment Jaxx? Foram algu­mas das esco­lhas do DJ Far­fa­lha para a festa de sábado à noite. As mais de 150 pes­soas que por lá pas­sa­ram gos­ta­ram sobre­tudo de ouvir “Tain­ted Love” dos Soft Cell e, para grande sur­presa do DJ, “Wipe That Sound” dos Mouse on Mars.

Estava quase a ser um fiasco. Com iní­cio mar­cado para as onze, tive­mos que espe­rar atè à meia-noite e meia para apa­re­ce­rem os pri­mei­ros con­vi­vas. Depois foi sem­pre a encher. De tal forma que o stock de bebida teve que ser reposto algu­mas vezes ao longo da noite e o de copos de plás­tico quase entrou em ruptura.

Eu entretive-me a tirar foto­gra­fias com a máquina digi­tal. Num pro­cesso semi-automático de dis­paro ale­a­tó­rio em todas as direc­ções, tirei 338 foto­gra­fias em menos de 2 horas. O resul­tado impres­si­ona não pela qua­li­dade, muito menos pela quan­ti­dade. O ines­pe­rado é que em quase todas as fotos está sem­pre alguém a sor­rir ou a rir (o quase é por­que as outras são de pes­soas a dor­mir). Isso impres­si­ona. Um grande con­cen­trado de feli­ci­dade fugaz.

As fes­tas deviam ser todas assim.

29 Novembro 2004 | 2 comentários

São Tomé e Príncipe, 1979

São Tomé e Príncipe, 1979

26 Novembro 2004 | Sem comentários

Finalmente chove

Depois de meses sem cair uma gota de água nesta terra e de dois dias de tro­vo­ada seca e nuvens pre­tas, parece ter come­çado ofi­ci­al­mente a esta­ção das chu­vas que aqui em Díli cos­tuma durar até Maio.

Não há chuva como esta. Aqui a natu­reza não tem meias medi­das ou pani­nhos quentes.

Vejo as nuvens a aproximarem-se, sem­pre muito escu­ras, deixo de ver as mon­ta­nhas, começo a ouvir os pin­gos gor­dos a cair na chapa de zinco. A inten­si­dade aumenta até o baru­lho da chuva ser o único som audí­vel. As folhas de pal­meira em frente à minha janela come­çam a bater con­tra o edi­fí­cio. A tro­vo­ada vai pas­sando por cima e dis­tri­buindo relâm­pa­gos com far­tura. Em quinze minu­tos o par­que de esta­ci­o­na­mento ali em baixo fica trans­for­mado numa pis­cina. Isto pode durar vinte minu­tos ou duas horas. Depois pára, meio de repente. Apa­rece o sol outra vez e em quinze minu­tos o par­que de esta­ci­o­na­mento volta a ficar seco.

Nin­guém usa guarda-chuva. São com­ple­ta­mente ina­de­qua­dos. E como a chuva é quente, recebê-la no corpo sabe lindamente.

O melhor é ver cho­ver no alca­trão. Está sem­pre tão quente que os pri­mei­ros pin­gos eva­po­ram mal lhe tocam pro­vo­cando uma nuvem de vapor que dura os pri­mei­ros momen­tos da chu­vada. Uma estrada inteira a eva­po­rar por baixo dos car­ros e das pessoas.

25 Novembro 2004 | Sem comentários

Daqui vê-se a minha casa

Fotografia aérea de Díli

Fica ali den­tro da cir­cun­fe­rên­cia a vermelho.

23 Novembro 2004 | 1 comentário

BWV988

Há dias em que se pre­cisa dele como de pão para a boca.

22 Novembro 2004 | Sem comentários

Av. Elias Garcia

Uma mulher var­re­dora de ruas. É nova, tal­vez da minha idade. É muito bonita. Achei estra­nho que uma mulher assim var­resse ruas, mas depressa se tor­nou evi­dente a cre­ti­nice encer­rada neste pen­sa­mento. A seguir pen­sei que se me cru­zasse com ela na rua num domingo, o mais pro­vá­vel era não repa­rar. E con­cluí que, pro­va­vel­mente, embora muito bonita, o facto de var­rer ruas lhe con­fere uma beleza única e especial.

22 Novembro 2004 | Sem comentários

Paragem de autocarro (II)

Tabuleta de paragem de autocarro da Câmara Municipal de Díli

Antes de 1975 era aqui que para­vam os trans­por­tes públi­cos da Câmara Muni­ci­pal de Díli.

19 Novembro 2004 | Sem comentários

Do lado de fora da vida

Às vezes assalta-me o estra­nho pen­sa­mento de que o que fica de fora da minha vida é muito mais impor­tante do que o que está lá den­tro. Não no sen­tido de achar que tenho uma vida vazia ou que estou a viver em dife­rido. O sen­tido é outro. É como se todas as pala­vras que não digo ou as deci­sões que não tomo fos­sem muito mais impor­tan­tes do que as ditas ou toma­das. Como se a vida se enri­que­cesse e qua­li­fi­casse não pelo que acon­tece, mas pelo que nunca aconteceu.

18 Novembro 2004 | 1 comentário

O adeus

Foi há dois meses e meio e para mim é esse que conta. Por­que esse é que foi um adeus como deve ser: sen­tido, apai­xo­nado e terno. O de hoje foi o nor­mal acu­mu­lar de mal-entendidos, coi­sas por dizer e pala­vras mal ama­nha­das com que o ser humano cons­trói dia­ri­a­mente a sua bana­li­dade inte­rior. Por isso, se não te impor­tas, ficas tu com o de hoje e eu fico com o outro.

16 Novembro 2004 | Sem comentários