26 volumes

Qua­tro rolos de fita-cola cas­ta­nha, vinte metros qua­dra­dos de plás­tico de bolhas, dez sacos de plás­tico de 105×85 cm, quinze sacos de plás­tico de 80×55 cm, trinta e qua­tro cai­xo­tes de car­tão cane­lado e uma guia de transporte.

Devi­da­mente emba­la­dos, os per­ten­ces tra­zi­dos e acu­mu­la­dos ao longo do ultimo ano e meio, acumulam-se no hall de entrada à espera de serem agru­pa­dos den­tro de um camião TIR e leva­dos para outras paragens.

27 Julho 2009 | 7 comentários

Do mesmo molde

No S2 de Saba­dell para Barcelona.

En Bel­la­terra entram duas senho­ras ido­sas. Aca­bam de se encon­trar e não se viam há muito. Entram agar­ra­das uma à outra: “Que me ale­gro mucho de encon­trarte, es que ya no nos vía­mos hace tiempo”, e a outra “Y que siem­pre nos encon­tra­mos en el tren”. E avan­çam pela car­ru­a­gem à pro­cura de dois luga­res vagos. Encontram-nos mesmo atrás de mim.

Eu estou can­sado e venho o cami­nho todo meio a dor­mi­tar, mas cada vez que des­perto e me foco na con­versa que as duas senho­ras estão a ter, per­cebo que é de remé­dios que falam. De com­pri­mi­dos para as dores, de um tra­ta­mento que uma come­çou e que dura um ano e de que o marido toma estes e eu tomo aqueles…

Dor­mito mais um bocado e volto a despertar.

“Y tu con­su­e­gra como va?”

“Ya sabes que es una mujer muy difí­cil, siem­pre con sus pro­blema, cui­dando de los perros…”

E eu ouço e dor­mito e ouço e dor­mito e mais ou menos por Sar­riá já me per­gunto se as senho­ras não serão por­tu­gue­sas a con­ver­sar em cas­te­lhano para despistar.

10 Julho 2009 | 2 comentários

A Caixa de Pandora

A Caixa de Pandora

Um belís­simo filme turco sobre a velhice, a morte e a famí­lia. Sobre­tudo acerca da difi­cul­dade que temos em acei­tar que os nos­sos velhos deci­dam sobre os ter­mos em que dese­jam deixar-nos.

30 Junho 2009 | Sem comentários

Bloody Montse

Metem-se três ou qua­tro pedras de gelo num copo alto e enche-se com vodka até cobrir as pedras. Espreme-se metade de uma lima lá para den­tro e junta-se meia dúzia de alca­par­ras e um raba­nete, tudo bem picado. Tempera-se com umas gotas de tabasco e pimenta aca­bada de moer. Por fim enche-se o resto do copo com gas­pa­cho de pacote bem fresco (Alvalle é o melhor) e mexe-se pachor­ren­ta­mente com uma colher.

É mais suave que um Blo­ody Mary, tira a fome e con­diz melhor com a Catalunha.

28 Junho 2009 | 1 comentário

Petardos

petardos

A melhor sur­presa do São João de Bar­ce­lona este ano, foi rece­ber um catá­logo de petar­dos no correio.

26 Junho 2009 | Sem comentários

Rescaldo do Sónar

Valeu bem a pena ir ao Sónar 2009. O cená­rio é óptimo, a orga­ni­za­ção impe­cá­vel, a vari­e­dade das esco­lhas musi­cais sur­pre­en­dente, o ambi­ente muito diver­tido (mesmo com a quan­ti­dade de ingle­ses embri­a­ga­dos pre­sente). Ao con­trá­rio do que ini­ci­al­mente pen­sava, a exis­tên­cia de dois recin­tos dis­tin­tos para os con­cer­tos de dia e de noite fun­ci­ona muito bem.
Gos­tei muito dos con­cer­tos de Konono Nº1, Omar Sou­ley­man, Buraka Som Sis­tema, Alva Noto, Orbi­tal (nunca pen­sei) e do set do James Murphy com o Pat Maho­ney.
Gos­tei menos da Grace Jones, que me pare­ceu ana­cró­nica, e dos Ani­mal Col­lec­tive, que pare­ciam estar a tocar de estô­mago vazio.
A man­cha do evento foram os Crys­tal Cas­tles, cujos téc­ni­cos de som reben­ta­ram com o equi­pa­mento logo na pri­meira música e nunca mais con­se­gui­ram que se ouvisse o micro­fone até ao fim. Foi ridí­culo e foi pena.
Fica a sen­sa­ção final de que o Sónar de Dia foi ligei­ra­mente melhor que o Sónar de Noite e von­tade de vol­tar para o ano.

22 Junho 2009 | Sem comentários

Sónar 2009

Aí vou eu pas­sar os pró­xi­mos três dias no Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal de Música Avan­çada e Arte Mul­ti­mé­dia de Bar­ce­lona, com um espe­cial inte­resse em ver Mulatu Astatké, Konono Nº 1 e os Buraka Som Sis­tema, em rever os Ani­mal Col­lec­tive e em ir às expo­si­ções de brin­que­dos sono­ros, ins­ta­la­ções mul­ti­mé­dia e coi­sas que ainda nem têm um nome para se lhes chamar.

UPDATE: Estou a acom­pa­nhar o fes­ti­val no Twit­ter.

18 Junho 2009 | Sem comentários

Crise no Irão

“My next door neigh­bor is an Ira­nian immi­grant who came here in 1977. He just recei­ved a SAT phone call from his brother in Teh­ran who reports that the roof­tops of night­time Teh­ran are fil­led with peo­ple shou­ting ‘Allah O Akbar’ in pro­test of the govern­ment and elec­tion results. The last time he remem­bers this hap­pe­ning is in 1979 during the Revo­lu­tion. Says the sound of tens of thou­sands on the roof­tops is dea­fe­ning right now.”*

Uma vez que os mace media insis­tem em cha­fur­dar na sua pró­pria lama e con­ti­nuam a igno­rar o desen­ro­lar dos acon­te­ci­men­tos no Irão, aqui fica uma lista de fon­tes para acom­pa­nhar o que se está a passar:

Além des­tes, o meme­o­ran­dum está a agre­gar con­teú­dos de blo­gues e agên­cias noti­ci­o­sas e o Twaz­zup está fazer o mesmo com o Twitter.

* Um lei­tor do Huf­fing­ton Post.

14 Junho 2009 | Sem comentários

Alheamento

Enquanto no Irão se pro­testa nas ruas o resul­tado das elei­ções, numa dimen­são que não se via desde 1999, estes são os des­ta­ques nos sites de infor­ma­ção por­tu­gue­ses, encon­tra­dos hoje às 10:30 da manhã:

Por­tu­gal acima da média da UE em mulhe­res elei­tas (DN).

Um bom­beiro morto e três em estado grave em desas­tre de via­ção em Espa­nha (Público).

Pre­si­dente do Ben­fica adia recan­di­da­tura para depois de con­versa com famí­lia (SIC).

Aces­sos a Lis­boa e Porto com patru­lha­mento refor­çado (RTP).

Até pode ser que nas ver­sões impres­sas e tele­vi­si­o­na­das o des­ta­que dado ao assunto seja outro, mas visto daqui e desta maneira é sinal de um alhe­a­mento preocupante.

ACTUALIZAÇÃO: De acordo o Arras­tão a ten­dên­cia na tele­vi­são confirma-se.

14 Junho 2009 | Sem comentários

Excepción portuguesa

“En una Europa esco­rada a la dere­cha, Por­tu­gal es la excep­ción. En las elec­ci­o­nes euro­peas, los par­ti­dos a la izqui­erda del Par­tido Soci­a­lista (PS) obtu­vi­e­ron el 23% de los sufra­gios. (…)
Llama la aten­ción el ascenso del Bloco de Esquerda (BE), fun­dado en 1999 a par­tir de tres gru­pos de extrema izqui­erda (de ori­gen maoísta y trots­kista). En nueve años, el BE ha mul­ti­pli­cado por siete su cau­dal elec­to­ral, desde el 1,5% al 10,73% del domingo. Hoy es la ter­cera fuerza polí­tica de Por­tu­gal y ha colo­cado a tres dipu­ta­dos en la Eurocámara.”

O que tam­bém chama a aten­ção é o facto do Minis­té­rio da Jus­tiça ser a única enti­dade na Europa que ainda não se con­ven­ceu que o Bloco de Esquerda tem 3 depu­ta­dos, apa­ren­te­mente por causa dos 10 con­su­la­dos que estão por apu­rar há cinco dias.

8 dias depois das elei­ções euro­peias — o tempo que demora à Repú­blica Por­tu­guesa a con­tar os votos dos seus con­su­la­dos no estran­geiro — oficializa-se a elei­ção do ter­ceiro depu­tado do Bloco de Esquerda. Ainda assim con­ti­nua um con­su­lado por apurar.

11 Junho 2009 | Sem comentários