Crispação

A ideia de que o combate político é particularmente àspero em Portugal, que os sindicatos portugueses são particularmente intransigentes, que a esquerda portuguesa é particularmente radical, que as greves e manifestações são aqui particularmente frequentes. (…) Coexistem de forma enigmática em Portugal as mais altas taxas de desigualdade social com as mais baixas taxas de conflito social.”

Em Barcelona, vivia ao lado do Departament de Treball da Catalunha. As manifestações regulares, em média duas por semana, começaram algures em Janeiro de 2009 e duravam ainda quando voltei em Julho. Grandes manifestações de centrais sindicais com que me cruzei no meu quotidiano catalão contei quatro. Em Março deste ano, a polícia punha fim a uma ocupação pacífica de 118 dias na Universidade de Barcelona por causa do processo de Bolonha. E a um quarteirão de minha casa, na esquina oposta ao Departament de Treball, ocupou-se no final de 2008 um prédio devoluto que passou a ser um centro social aberto ao bairro.

Se há uma certeza com que voltei da Catalunha, e que concorda com a análise do Ricardo Noronha no Cinco Dias, é que por lá a cidadania é muito mais contestatária, participativa e “crispada” do que em Portugal.