Do mesmo molde

No S2 de Sabadell para Barcelona.

En Bellaterra entram duas senhoras idosas. Acabam de se encontrar e não se viam há muito. Entram agarradas uma à outra: “Que me alegro mucho de encontrarte, es que ya no nos víamos hace tiempo”, e a outra “Y que siempre nos encontramos en el tren”. E avançam pela carruagem à procura de dois lugares vagos. Encontram-nos mesmo atrás de mim.

Eu estou cansado e venho o caminho todo meio a dormitar, mas cada vez que desperto e me foco na conversa que as duas senhoras estão a ter, percebo que é de remédios que falam. De comprimidos para as dores, de um tratamento que uma começou e que dura um ano e de que o marido toma estes e eu tomo aqueles…

Dormito mais um bocado e volto a despertar.

Y tu consuegra como va?”

Ya sabes que es una mujer muy difícil, siempre con sus problema, cuidando de los perros…”

E eu ouço e dormito e ouço e dormito e mais ou menos por Sarriá já me pergunto se as senhoras não serão portuguesas a conversar em castelhano para despistar.