Fazer humor

O que me interessa no cartaz que os tipos do Gato Fedorento colocaram no Marquês de Pombal não é propriamente a piada em si. Se o slogan “Com portugueses não vamos lá” me parece genial, acaba por contrastar nos objectivos com o sub-título “A melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal”. Fica-se sem perceber muito bem se a graça está em chateá-los ou em precisarmos deles ou nas duas coisas. Como eles próprios diriam: “uma piada um bocado fraquinha”. O que é notável neste acontecimento é outra coisa: o caracter público do acto. Não é uma piada dita em horário nobre num programa de televisão para consumo na sala de estar. É um outdoor enorme - igual aos que todos os partidos colocam arbitrariamente em todo o lado sempre que lhes apetece - colocado no centro da cidade, a ridicularizar um que já lá estava. O efeito é arrasador. E é arrasador não necessariamente pela qualidade da piada, mas pelo inédito do acto, pelo facto de marcar fisicamente aquela paisagem urbana, por desmontar o que está ao lado usando a mesma linguagem visual. Claramente, uma questão de escala. Muito mais eficaz que todas as piadinhas sobre o assunto ditas no programa sobre o fascismo que deu no Domingo passado. Numa escala mais pequena, já tínhamos tido, há dois anos, os narizes de palhaço.