Finalmente chove

Depois de meses sem cair uma gota de água nesta terra e de dois dias de trovoada seca e nuvens pretas, parece ter começado oficialmente a estação das chuvas que aqui em Díli costuma durar até Maio.

Não há chuva como esta. Aqui a natureza não tem meias medidas ou paninhos quentes.

Vejo as nuvens a aproximarem-se, sempre muito escuras, deixo de ver as montanhas, começo a ouvir os pingos gordos a cair na chapa de zinco. A intensidade aumenta até o barulho da chuva ser o único som audível. As folhas de palmeira em frente à minha janela começam a bater contra o edifício. A trovoada vai passando por cima e distribuindo relâmpagos com fartura. Em quinze minutos o parque de estacionamento ali em baixo fica transformado numa piscina. Isto pode durar vinte minutos ou duas horas. Depois pára, meio de repente. Aparece o sol outra vez e em quinze minutos o parque de estacionamento volta a ficar seco.

Ninguém usa guarda-chuva. São completamente inadequados. E como a chuva é quente, recebê-la no corpo sabe lindamente.

O melhor é ver chover no alcatrão. Está sempre tão quente que os primeiros pingos evaporam mal lhe tocam provocando uma nuvem de vapor que dura os primeiros momentos da chuvada. Uma estrada inteira a evaporar por baixo dos carros e das pessoas.