Não tem graça

Não tem graça parar de madrugada na berma da estrada porque uma coluna de fumo gigante desponta logo ali atrás do Palácio do Governo.

Não tem graça chegar ao local e ver um incêndio de elevadas proporções a começar a consumir um bairro de cerca de 70 casas.

Não tem graça perceber que não está lá ninguém a combatê-lo.

Não tem graça ligar aos bombeiros, ir de carro chamá-los ao quartel para ter a certeza que vão e no caminho tentar avisar dois veículos blindados que seguem como se nada fosse.

Não tem graça parar à porta da sede da Organização das Nações Unidas, a 300 metros do incêndio, e perceber que ninguém deu por nada.

Não tem graça ver os bombeiros a chegar, perceber que são poucos e que não conseguem fazer muito mais do que evitar a sua propagação.

Não tem mesmo graça nenhuma ficar a olhar as chamas a consumirem um bairro inteiro.