O Bom Seminarista em Férias

Pensa pois bem, meu bom amigo, que o tempo das férias não deve ser tempo de ócio nefasto, nem de preguiça pecaminosa, nem de divertimentos inconsiderados e mundanos.

Pensa que certas formas de divertimentos e de distracções, que mal são consentidos aos estudantes das universidades e colégios, não te são de forma alguma permitidos, a ti que vestes o hábito eclesiástico e fazes profissão da vida perfeita.

Estabelece um programa de vida e um horário de cada dia, ditribuindo as tuas horas entre os exercícios de piedade, um poucochinho de estudo e honestas e dignas recreações, entre as quais tenha boa parte o trabalho manual.

São Carlos, nas suas regras (c. VII.), dava grande importância ao passeio. O movimento o ar puro do campo retemperam admiràvelmente as energias corporais e intelectuais. Também o exercício das belas artes causa prazer e descanso. As leituras são pasto delicioso para o espírito, que nelas encontra repouso e recreio. O jogo das cartas, os desafios desportivos, a leitura de romances, mesmo dos que não são maus, longe de recrearem o espírito, produzem muitas vezes dissipações em detrimento da piedade e do bom espírito, que o seminarista deve sempre conservar e aumentar, especialmente em tempo de férias, quando os perigos são maiores, as necessidades espirituais mais sentidas, ao passo que os auxílios e amparos podem diminuir e até mesmo faltar.”

ORGONOVO, Padre Justino - O Bom Seminarista em Férias - Manual de Meditações. 3.ª ed. Cucujães : Editorial Missões 1950. p. 17-18