O lado errado

Acordava sempre lamentando o que não acontecera. Como a vez em que não disse à rapariga no autocarro que era bonita como mais nenhuma ou quando, por medo, não protestou no restaurante pelo facto de lhe terem servido carne estragada. Sempre o medo do que pudesse acontecer como carburante de todas as incertezas, tudo transformando em hesitação. Vivia, é certo. Mas lá dentro pouco mais que medo e nada. Era uma vida vivida de fora. Do lado errado.