Tatamailau

É o pico mais alto de Timor-Leste: 2960 metros. Fui lá este fim-de-semana ver o sol nascer sobre os milhares de anos de movimentos tectónicos que lentamente encarquilharem esta ilha.

A facilidade com que decidimos subir pelo lado errado, as pernas a tremer de caminhar num trilho ao lado de uma escarpa de dezenas de metros, os macacos lá em baixo, a muita sede sempre que parava, o cansaço, o ainda mais cansaço, a força que não se sabe de onde veio, a sombra refrescante de uma árvore, o gole de água que sabe por um litro, o coração a bater nas unhas dos pés, o Albino sempre descalço a rir-se cada vez que alguém escorregava, o vento muito vento, o olhar para trás e não acreditar que se passou ali, o contar a distância em altura em vez de comprimento, a tenda montada no sítio mais estúpido de todos, a garrafa de whisky que se bebeu para matar o frio, a noite mal dormida a 2850 metros, o acordar mal-disposto, a violência da última subida ainda antes de comer…

Tudo isto e mais o que não consigo aqui meter como construção desse momento em que chego ao cume e olho à volta, com os olhos a transbordar de paisagem e a montanha a doer-me nas pernas.