Um pinguim na garagem

Vinte e dois anos! Aos vinte e dois, esvaziado de impulsos, deslocava-me apenas, à procura de elogios: predava elogios. E se era guloso! As pequenas vitórias, sentia-as retumbantes, gloriosas, magnificentes - no exacto segundo que as sucedia. Depois… bem, depois, e afinal, já não eram vitórias, eram somente mais um sintoma da minha derrota. Que eu, eu, sim, eu era uma derrota contínua, sobre a qual os outros se divertiam, experimentavam novas condições, riam até à exaustão.

O exame ultrapassado, o dinheiro conseguido, esta mulher que me sorrisse à mesa de um café, aquela que encontrasse nos meus braços o difícil e lacrimogéneo orgasmo das viúvas, esse intelectual que concordasse com um qualquer argumento mais arguto, tudo e todos eram acaso, não passavam de engano. Como poderia alguém, no seu perfeito juízo ou na posse da informação pertinente, diz-me, como poderia alguém atribuir-me quaisquer valores e competências?”

Quem escreve assim é o luís. Li “Um Pinguim na Garagem” de rajada, em dois dias, e continuo a lê-lo cá dentro, como há muito não me acontecia com um livro.